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Quarta-feira, 20 de abril de 2016 ás 04:26:00

Professora que nasceu com fissura labiopalatina relata sua historia de superação

A professora Lucila Oliveira, 46 anos, mora na cidade de Parelhas, interior do Rio Grande do Norte, e nasceu com má formação no lábio e no palato, também conhecido como Lábio Leporino.

Aos dois anos de idade, em 1972, realizou a 1ª cirurgia a queiloplastia ( plástica do fechamento do lábio) no navio-hospital norte-americano Hope, que veio em missão voluntária  à capital do Rio Grande do Norte, onde passou 10 meses realizando uma série de cirurgias e atendimentos, num intercâmbio com a Universidade Federal do RN (UFRN).

Leia abaixo o relato da professora Lucila sobre sua história de fissurada, que somente depois de 42 anos conseguiu realizar mais duas cirurgias para corrigir a fenda do palato, que a deixou com a voz anasalada, criando problemas de comunicação.

Foi no ano de 1972, morávamos na cidade de Acari- RN na época,   hoje, considero a minha mãe Josefa uma heroína, pois, era um período onde os meios de comunicação eram praticamente o rádio, tudo se tornavam difícil na época.

A família veio morar na cidade de Parelhas- RN em 1978, o tempo passou e eu fiquei somente com essa cirurgia, as dificuldades financeiras, e por falta de conhecimentos, acredito que este deve ter sido um dos motivos para que minha mãe não tivesse dado continuidade ao tratamento de reabilitação. Aos meus 13 anos minha mãe faleceu e as chances de uma reabilitação tinham acabado naquele momento, ela era minha fortaleza.

Sempre gostei de estudar e para mim era um deleite está numa sala de aula entre os livros e os conhecimentos, mas para minha surpresa, tive que enfrentar diversos preconceitos,  estes vindos de alguns alunos. Minha sorte é que minha mãe me defendia com garras e dentes. Eu nunca vou esquecer desses momentos tão marcantes na minha vida, ela, ia todos anos no primeiro dia de aula, explicar a professora sobre o meu problema e assim, com a ajuda da professora, conseguia adentrar no ambiente que tanto amava que era a escola. 

Enfrentei muitos bullying na hora do recreio, mas, como sempre fui uma pessoa ousadíssima, eu sempre procurava a direção da escola para dizer do acontecido.ou seja, eu já conseguia me defender para conquistar o que eu queria.

O fissurado e sociedade

Inúmeros foram os preconceitos vivenciados por mim, daria para escrever um livro, numa dessas páginas desse livro, vou relatar um dos preconceitos que considero o mais desumanizado. Foi no ano de 1989 quando eu fui aprovada num concurso municipal para Agente comunitário de Saúde, na entrevista com uma assistente social para a classificação de assumir o cargo, ela simplesmente me desclassificou porque falou que a comunidade não ia entender minha voz, na época eu não tinha conhecimento dos meus direitos, apenas, me calei, confesso que eu me senti a pior das pessoas do mundo. 

Prometi a mim mesma e a minha mãe que já era falecida, que eu ia mostrar a essa assistente social que eu era capaz, no mesmo ano passei num concurso do Estado do RN, para professora, fui nomeada em  1994, sou readaptada em outra função e estou até hoje na ativa. 

Sou graduada em Pedagogia e  Especialista em Educação em Direitos Humanos pela UFRN e essa especialização veio rechear de novos conhecimentos para poder lutar pelos meus direitos e agora em especial, pelos direitos dos fissurados.

O fissurado não reabilitado

As chances de reabilitação só surgiu agora em 2014 quando enviei um email para o Centrinho de Bauru - USP - universidade de São Paulo e fui atendida. Tive que procurar os meus direitos junto a SESAP, através do TFD - tratamento fora domicílio, o qual confesso que não foi fácil, mas, para mim não tem dificuldades quando se trata da realização dos meus objetivos de vida. Em novembro de 2014 fui submetida a palatoplastia primária, aos 45 anos,  e agora em Março de 2016 foi a palatoplastia secundária. Estou super feliz, pois acredito que antes tarde do que nunca.

Sempre tive  visão de que o fissurado é um ser humano, com qualidades, capacidades, e que não é um simples defeito facial que o vai deixar de ser uma pessoa digna. E eu, tive que mostrar a esse mundo onde o preconceito ainda prevalece, de que o que vale é a essência, e não somente a aparência exterior.

Faço parte da APAFIS, associação de pais e amigos de fissurados do RN, fui nomeada em Bauru como coordenadora dos projetos comunitários , representando Bauru em minha cidade, cidades circunvizinhas e Natal.  Participo de grupos de apoio ao fissurado nas redes sociais.

Por fim, foi pensando no fissurado que a maioria das vezes se exclui da sociedade, deixando de viver a vida, que estou aqui, deixando meu testemunho de vida, acredito de irá ajudar a quem muitas vezes precisa de uma simples palavra de incentivo. Eu, sempre tive uma inesgotável incapacidade de desistir, sem perde a esperança, tá ai a resposta ao meu sucesso como ser humano, profissional, simplesmente me amo.

 

Essa é apenas algumas folhas do livro da minha linda história de vida de SUPERAÇÃO, agradeço a Deus pela coragem, fé, determinação, força. Essa missão de ajudar ao próximo é minha grande conquista , obrigada meu Deus!

Lucila Oliveira Lima de Souza - Parelhas- RN.

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    Lucina aos 2 anos, antes de realizar a cirurgia no navio-hospital dos EUA
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    O navio-hospital norte americano do projeto HOPE ficou 10 meses em Natal
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    A professora Lucila em Foz do Iguaçu
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    Lucila foi discriminada por ser portadora da anomalia labiopalatina
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    Lucila falando sobre sua vida de fissurada em em evento da UnP
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