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Terca-feira, 17 de janeiro de 2017 ás 02:29:00

Vida de repórter em cobertura de rebelião no presídio de Alcaçuz

A vida de repórteres de jornais, televisão e sites em cobertura de rebelião em presídios não é fácil.

Além da preocupação em apurar os acontecimentos, na cobertura in loco, ou seja, no local da notícia, neste caso o presídio de Alcaçuz, em Nísia Floresta, a 15 km de Natal, a busca por uma área de visão privilegiada leva os profissionais da imprensa a procurar elevações.

No caso do presídio de Alcaçuz, região dunar, o melhor local de visualização da unidade é no alto de uma duna, por onde passa uma estrada de terra batida que liga o distrito de Pium, no município de Parnamirim, e a comunidade de Alcaçuz.

No alto da duna os jornalistas instalaram seus equipamentos para a cobertura. São profissionais das afiliadas locais das emissoras nacionais de TV como Rede Globo, SBT, Bandeirantes e Record, da Globo News,  que fazem entradas ao vivo durante os telejornais ou mesmo em edições extras, todos querendo levar a informação mais precisa possível do que está acontecendo dentro do presídio.

Os profissionais de TV, jornais e site trabalham muito e em condições adversas, como debaixo de um sol escaldante do meio dia, passando fome e sede, até que uma boa alma de colegas ou mesmo de motoristas trazem água, refrigerante ou mesmo um sanduíche.

 A pausa para a água e o lanche é um momento de descontração e de troca de informações genéricas, mas cada profissional procura a sua informação mais exclusiva para dar ao público leitor, telespectador ou agora internauta.

E não é fácil obter informações precisas, primeiro porque o governo divulga o que interessa a ele, enquanto do lado de fora, as fontes são os parentes de presos ou mesmo os internos, quando o jornalista consegue o número do celular de um deles.

No mais, é apurar o olhar sobre o presídio e ver o que acontece no seu campo de visão e tentar interpretar as reações dos presos nas suas correrias.

Quando os tiros pipocam, primeiro, vem a preocupação de não ser atingido por uma bala perdida, depois tentar obter informações do que aconteceu lá dentro do presídio, distante uns 300 metros do alto da duna, onde muitas vezes familiares dos presos também procuram o local para tentar ver seu parente ainda continua vivo.

Nesta terça-feira, em Alcaçuz, acompanhei uma mãe e uma mulher de preso subir a duna para constatar que o filho e o marido estavam vivos lá dentro do presídio. Os dois presos fizeram sinal e até um deles conseguiu escrever suas iniciais para mostrar que estava vivo.

Aliviadas, mãe e mulher disseram que eles mantinham contato via celular, mas ouvir apenas não bastava, elas queriam vê-los se estavam bem. Segundo elas, eles relatavam os horrores da carnificina de sábado e a tensão de dormir à noite às escuras e com medo da invasão do PCC (Primeiro Comando da Capital) ao seu alojamento.

Segundo as duas mulheres, os dois presos não pertencem a nenhuma das facções rivais do presídio de Alcaçuz, o sindicato do Crime do Rio Grande do Norte e o PCC, mas que nesta terça-feira eles foram obrigados a tomar uma posição.

Diante da carnificina do PCC no sábado, temendo um novo confronto, o sindicato do Crime conseguiu o apoio das outras facções e de presos neutros.

Para os parentes dos presos, governo do Estado deveria retirar os membros do PCC do presídio para que voltasse a tranquilidade na unidade.

O governo do Estado por sua vez diz que invadir o presídio poderia resultar em mortes, que a preocupação é não deixar os presos fugirem. Mesmo assim, os presos fugiram ontem, mas o governo afirma que não.

Se não fugiram, por que policiais militares saíram pela localidade de Alcaçuz atrás de fugitivos, como aconteceu nesta terça-feira?

Um repórter fotográfico registrou dois presos fora do presídio, mas mesmo assim, alguém do governo garantiu que o fugitivo não era fugitivo, mas sim o ângulo da foto que parecia que o preso estava fora do muro da unidade.

Enfim, a vida de repórter não é fácil. Além dos horários de fechamento de jornais e telejornais, da apuração dos fatos, ainda convive com pessoas que não querem que a verdade dos fatos chegue até à população de forma clara, sem maquiagem.

Nesta terça-feira, em Alcaçuz, teve assessor de imprensa do governo e um militar que queriam que os jornalistas deixassem o alto de uma duna com a desculpa que um tiro poderia alvejar os profissionais da imprensa.

Este jornalista e outros colegas pensaram com nossos botões: “Ora, se apenas os policiais militares têm armas de fogo, já que na vistoria dos presos não foram encontradas armas, como um tiro poderia nos acertar a mais de 300 metros do confronto?”

Acabou o dia de trabalho dos jornalistas sem nenhuma baixa, com cada um realizando o seu trabalho de cobertura de uma rebelião anunciada, mas que as autoridades não tomam as providências preventivas.

Finalizando, o jornalista ainda é obrigado a ouvir que está fazendo o jogo do governo de esconder o número real de mortes desse massacre de Alcaçuz.

O governo confirmou 26 mortes e os parentes de presos dizem que a matança foi maior. Afinal, quem está certo, o governo ou os parentes dos presos?

Para mim, para acabar com esta dúvida, basta o governo fornecer a listagem dos presos que estavam sob a custódia do Estado e formar uma comissão com a participação da OAB e a Pastoral da Terra para levantar os nomes dos internos vivos que ainda se encontram recolhidos no presídio.

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