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Segunda-feira, 23 de julho de 2012 às 22:07:00

Sequestro acaba com libertação do refém, prisões e morte

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A Secretaria de Estado da Segurança Pública e da Defesa Social (Sesed), por meio da Divisão Especializada de Investigações e Combate ao Crime Organizado (Deicor), apresentou na tarde desta terça-feira, 24, detalhes da operação que resultou na libertação do jovem Porcino Segundo, 19 anos, o Popó, que estava sequestrado há 37 dias.

Segundo a polícia, dois cativeiros foram "estourados", quatro sequestradores foram presos e um morreu no confronto com os policiais. O rapaz já está sob os cuidados de familiares, em Natal. Ele foi sequestrado no dia16 de junho, em Ceará-Mirim, a 45 km da capital potiguar.

Os cinco acusados pelo sequestro foram localizados nesta terça-feira no conjunto Pitimbu, zona Sul de Natal, e numa casa na praia de Pitangui, no litoral Norte. Nas prisões dos sequestradores, segundo a policia, houve confronto e um deles foi morto na troca de tiros. Os presos foram José Orlando Evangelista Silva, 42 anos, Paulo Victor Lopes Monteiro, 25 anos, e sua mulher Bruna Pinho Landim, 22 anos, além de Anderson de Souza Nascimento. Um homem conhecido como "Cabeça", extraoficialmente identificado como José Erisvan, morreu ao trocar tiros com os policiais, numa  casa localizada na praia de Pitangui, litoral Norte.

Um dos sequestradores preso, Paulo Victor Lopes Monteiro, segundo a policia, é filho de um coronel da reserva da Polícia Militar do Ceará.

O preso Anderson Nascimento foi atingido em um braço e um pé, sendo socorrido para o Hospital do Santa Catarina, de onde foi transferido, no começo da noite, para o Hospital Walfredo Gurgel.

A delegada Sheila Freitas, que coordenou os trabalhos da Deicor, disse que a quadrilha composta por uma mulher e quatro homens, todos cearenses, ameaçaram várias vezes matar a vítima.

“Os sequestradores fizeram o primeiro contato com a família da vítima quinze dias depois. Apesar de os bandidos dizerem que a polícia deveria ficar longe do caso, a polícia começou as investigações e em nenhum momento participou de qualquer tipo de negociação que teria sido mantido entre os parentes de Popó e os criminosos", disse a delegada.

Ela afirmou que não foi pago nenhum resgate aos sequestradores do jovem. "A parceria do trabalho policial com o Poder Judiciário foi fundamental para o resultado positivo. Se não fosse a juíza Valentina Damasceno, de Ceará-Mirim, nosso trabalho teria sido muito prejudicado”, explicou a policial.

Sheila Freitas afirmou que, desde que foram informados sobre o desaparecimento de Popó, dia 16 de junho em Ceará-Mirim, ela e seus policiais tinham consciência de que o mais importante era libertar o rapaz, independente de qualquer prisão dos integrantes da quadrilha de sequestradores.

A delegada acredita que o sequestro de Popó teve pelo menos a participaram 10 pessoas e a policia vai continuar as investigações para identificar e prender os outros comparsas.

A policia informou que duas casas foram usadas como cativeiros, uma casa em Parnamirim e outra na praia de Pitangui, onde o jovem foi localizado e libertado.

Equipes da Deicor, Delegacia Geral de Polícia Civil, Centro de Inteligência da Sesed e Núcleo de Inteligência da Polícia Civil (NIP) participaram da operação.

“Quero, neste momento, homenagear meus policiais, todos que participaram deste trabalho. Todos são policiais porque amam o que fazem. Aqui foram deixados filhos, marido, mulheres, noites de sono, tudo para termos esse resultado", afirmou a delegada.

Segundo ela, a policia não realizou este trabalho apenas porque a família do sequestrado tem condições financeiras. "Nós trabalhamos em várias operações que salvaram outras vítimas e prenderam bandidos. Este é o nosso trabalho e temos orgulho de fazer parte da polícia do Rio Grande do Norte”, disse Freitas, bem emocionada. Ela foi aplaudida por colegas e jornalistas que acompanhavam a entrevista coletiva.

A policial disse que os sequestradores acompanhavam o noticiário sobre o sequestro pela imprensa, principalmente pelos blogs. “No começo, houve uma movimentação maior da imprensa, mas com o passar do tempo somente alguns blogs ficaram divulgando, o que prejudicou nosso trabalho, pois os bandidos ficaram mais agressivos e a cada notícia publicada eles ameaçavam mais a vítima, dizendo que iriam matá-la”, disse.

Com a quadrilha foram apreendidas duas pistolas – uma ponto 40 e outra 9 milímetros – e uma submetralhadora, todas armas de munição de uso restrito das Forças Armadas e polícias, além de um par de algemas, celulares, uniforme da PM potiguar, munição, óculos de mergulho, correntes (usadas para prender o sequestrado pelo tornozelo) e um notebook, de onde os bandidos tinham acesso à internet por meio de um modem.

O secretário-adjunto de Estado da Segurança Pública e da Defesa Social, Clidenor Cosme da Silva Júnior, que acompanhou toda a investigação e participou da diligência do final da manhã de hoje (24), confirmou que os marginais acompanhavam noticiário do sequestro pela imprensa, por meio da internet. Ao ver os policiais chegando, lembrou Silva Júnior, ‘Popó’ disse: “Graças a Deus, vocês chegaram”. Aparentemente, de acordo com o secretário, a vítima estava tranquila e só foi agredida fisicamente no momento da abordagem pelos sequestradores. “No cativeiro, ele disse que era alimentado, tomava água e até uma televisão recebeu nos últimos dias”.

Silva Júnior leu uma nota enviada pela governadora Rosalba Ciarlini, dirigida aos policiais que participaram da operação, onde termina afirmando: “Trabalhos como esse reforçam a importância do investimento contínuo em inteligência e em trabalhos cooperados das polícias Civil e Militar. Como mãe, estou feliz pelo retorno do jovem Popó e agradeço a Deus pela manutenção da vida”.

O secretário-adjunto reforçou que as investigações sobre a quadrilha que sequestrou ‘Popó’ continuam e espera que, em breve, novas prisões sejam anunciadas. “Tivemos êxito, graças a Deus. Parabenizamos todos os policiais pelo excelente trabalho. Se tivesse que dar uma nota, eu daria onze. Os potiguares podem ter certeza quem têm policiais preparados, trabalhadores, prontos para combater a criminalidade”, disse.

O secretário de Estado da Segurança Pública e da Defesa Social, Aldair da Rocha, que está em São Paulo para tratamento de saúde, disse que está extremamente feliz com o desfecho do sequestro, ressaltando o empenho de todos os policiais. “Acompanhei o trabalho, tinha informações várias vezes por dia e sabia que nossos policiais estavam dormindo pouco e trabalhando muito, mas felizmente tudo saiu bem e o jovem Popó foi entregue aos seus familiares”, declarou Aldair da Rocha.

Paulo Francisco, com informações da Assessoria de Imprensa do Governo do Estado.

Família agradece apoio dos amigos

A família de Popó Porcino divulgou na tarde desta terça-feira (24) uma nota agradecendo o apoio que recebeu de amigos e pessoas anônimas.

O texto é de autoria dos pais do sequestrado, Porcino Junior e Monalisa Sales, em nome da família.

 A nota na íntegra:

Foram 37 dias de muito sofrimento e tristeza para todos nós.  Cada dia se tornava mais longo que o outro, pela angústia da espera, além da incerteza de reencontrar o nosso querido Popó.

Durante todo esse tempo recebemos muitas manifestações dos amigos e de um grande número de pessoas, que nos trouxeram conforto e ânimo, nos momentos mais difíceis. Temos muito a agradecer, por tudo e a todos.

Agradecer, primeiramente, a Deus pelos ensinamentos e pelas bênçãos recebidas. A nossa fé foi testada e o aprendizado de todo esse sofrimento não foi em vão.

Agradecer a tantas pessoas generosos e de espírito fraterno que com o seu apoio aliviaram nossa dor, fortalecendo a esperança, sempre presente no meu coração de mãe.

Das manifestações recebidas, muitas vieram de pessoas que nem conhecemos, mas mesmo anônimas e distantes fisicamente, elas se transformaram em novos amigos, fazendo parte da grande rede de solidariedade, construída espontaneamente para nos ajudar.

Por tudo isso, nossa mais sincera gratidão aos amigos conhecidos e a todos aqueles que se fizeram amigos nas correntes de orações, na web, através das redes sociais, nos pequenos e grandes gestos e, até mesmo no silêncio, em respeito a nossa dor.

Para retribuir tanto carinho e generosidade, pedimos a Deus muitas bênçãos para todos que compartilharam conosco desta provação. Nosso eterno agradecimento, a cada um.

Porcino Junior e Monalisa Sales, em nome de toda a família de Popó

 

O SEQUESTRO

Dia 17 de junho

O jovem Popó Porcino vai participar de uma vaquejada no município de Ceará-Mirim, a 45 km de Natal, e acaba sendo sequestrado por três homens. Eles levam o rapaz e mais o tratador de cavalos que o acompanhava. Os sequestradores levam as vítimas em um veículo de cor preta. O tratador de cavalos é liberado mais tarde no município de Santa Maria, a 40 quilômetros de Ceará-Mirim.

Dia 1º julho

Após 14 dias do sequestro, os marginais fazem o primeiro contato para solicitar resgate. A família nem a polícia informaram o valor pedido.

24 de julho

Polícia Civil e Militar estouram dois cativeiros, um em Pitimbu, distrito de Parnamirim; e outro na praia de Pitangui, litoral Norte de Natal. Popó Porcino estava nesse cativeiro na praia, onde se encontrava acorrentado.

TWITTER

 
Depois de liberado, Popó Porcino colocou um agradecimento no seu twitter (@popo_porcino): "Obrigado a todos aqueles que rezaram por mim. Aqui estou eu com muita saúde. Obrigada de coração!"

O MAIS LONGO SEQUESTRO DO RN

 Os 37 dias de cativeiro de Porcino Segundo fizeram do seu sequestro o mais longo registrado no Estado, superando os 36 dias do anterior que detinha o recorde. Em 16 de dezembro de 2004, o empresário Francisco Assis Neto, com 61 anos de idade na época, foi sequestrado em Mossoró. Ele ficou 36 dias no cativeiro e foi liberado no dia 21 de janeiro de 2005. Conhecido como Assis da Usibras, a vítima ficou acorrentada num imóvel rural na comunidade de Sítio Ribeiro, comprado previamente pelos sequestradores para realizar o sequestro. A casa ficava nos arredores de Potiretama, próxima a Fortaleza-CE). O "estouro" do cativeiro aconteceu numa ação conjunta das polícias do RN e Ceará. Cinco pessoas do Ceará, Pernambuco e Tocantins foram presas.


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