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Sexta-feira, 19 de julho de 2013 às 14:17:00

Confronto de PMs com manifestantes em Natal acaba em vandalismo

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Bombas, tiros, pedras e um rastro de ações de vândalos nos bairros de Tirol e Cidade Alta, região central de Natal, marcaram na noite desta sexta-feira, 19, o protesto dos estudantes do movimento #RevoltadoBusao, que começou pacífico na concentração na BR-101 (em frente ao Natal Shopping) e na caminhada até a Câmara dos Vereadores.

Um grupo de manifestantes encapuzados ao ser dispersado pela Tropa de Choque da PM saiu em direção a rua Apodi e quebrou quatro vidros das lojas Jacaúna, quando tentaram saqueá-la. A ação da PM impediu que um grupo levasse móveis da loja.

Já na Avenida Rio Branco outro grupo quebrou a porta de vidro de duas agências bancárias, Bradesco e Santander.

Segundo a PM, os vândalos integrantes do movimento depredaram pelo menos seis locais, entre estabelecimentos comerciais e residenciais, bancos e um escritório.

A ação da PM durante a manifestação prendeu quatro pessoas, sendo dois homens pelo porte de pedras, um por atirar pedras em agências bancárias, além de um estudante de 15 anos que mirava laser contra o helicóptero Potiguar I, da Secretaria de Estado de Segurança Pública (Sesed), que acompanhava a caminhada.

Segundo a PM, todos os detidos foram liberados depois.

O comandante geral da PM, coronel Francisco Araújo Silva, disse que o protesto desta sexta só não foi pacífico devido à presença de vândalos infiltrados no movimento.

Desta vez, a manifestação reuniu mais estudantes e jovens, não chegando a dois mil o número de manifestantes.

Na primeira grande manifestação, no dia 20 de junho, mais 50 mil pessoas saíram às ruas de Natal para protestar não só pelo aumento da passagem de ônibus na cidade, mas também contra os serviços prestados pelo poder público, como saúde, educação, transporte, além de corrupção e os desmandos em geral.

Já na segunda, dia 28 de junho, o protesto reuniu cerca de 15 mil pessoas. E na última, dia 11 de julho, numa manifestação convocada pelas centrais sindicais, só havia cerca de oito mil pessoas.

CONFRONTO DE ENCAPUZADOS CONTRA TROPA DE CHOQUE

O confronto de um grupo de manifestantes encapuzados aconteceu às 19 horas, na Avenida Campos Sales, entre as ruas Jundiaí e Apodi, a poucos metros da Câmara de Vereadores, onde uma Tropa de Choque da PM se posicionou para não deixar ninguém se aproximar da casa legislativa municipal.

Ao contrário das ultimas manifestações em Natal que a PM foi orientada não se aproximar dos manifestantes e sim retirar do meio dos manifestantes aqueles suspeitos de portar pedras e bombas, desta vez, a Tropa de Choque foi para o confronto, com alerta aos jornalistas para que não ficassem entre os manifestantes e os policiais.

O resultado é que os estudantes mais radicais, que também foram preparados para o confronto, ai começaram a jogar pedras na Tropa de Choque, que reagiu com bombas de gás lacrimogêneo e balas de borrachas, que acertaram vários manifestantes da ala pacífica.

O confronto entre PMs e manifestantes durou cerca de 10 minutos. A Tropa de Choque, cerca de 50 homens, avançou sobre os manifestantes atirando bombas de gás lacrimogêneo e balas de borracha, depois que uma meia dúzia de mascarados jogou pedras nos policiais.

O protesto de Sexta

A concentração dos manifestantes começou por volta das 16h na parada do ônibus circular da Universidade Federal do RN (UFRN), com o pessoal se dirigindo para a lateral do shopping Via Direta. Às 16h45, os manifestantes invadiram a BR-101 em frente ao Natal Shopping e Via Direta, com a Polícia Rodoviária Federal entrando em ação para negociar com as lideranças do movimento.

Um grupo de manifestantes mais pacíficos queria ocupar uma pista só, enquanto os radicais partiram para ocupar toda a rodovia, fechando o trânsito na área. Os patrulheiros rodoviários ainda conseguiram negociar com os manifestantes a liberação dos veículos que trafegavam no sentindo Centro-Parnamirim, que tiveram a permissão de manobrar e retornar na contra mão.

Depois de uma plenária do movimento na pista, onde os manifestantes decidiram ir protestar em frente à Câmara de Vereadores, a Policia Rodoviária Federal fechou a BR-101 entre o viaduto de Ponta Negra e o complexo do Quarto Centenário para que os manifestantes pudessem ir em direção àquela casa legislativa.

O grupo seguiu nas duas vias da BR-101 e subiu o Viaduto Quarto Centenário em direção à avenida Prudente de Morais, mas depois entrou pela avenida Romualdo Galvão.

Na altura do estádio Arena das Dunas, um manifestante, que mirava raio laser contra um helicóptero da PM que acompanhava a caminhada, foi detido por policiais militares. Alguns manifestantes atiraram pedras nos PMs, que conduziram o jovem para a delegacia de Plantão da Candelaria.

Os manifestantes seguiram pela avenida Romualdo Galvão até a avenida Amintas Barros e pegaram a avenida Senador Salgado Filho.

No shopping Midway Mall, policiais militares se concentraram para evitar invasão dos manifestantes.  Um grupo pequeno de vândalos chegou a se aproximar do shopping e a PM chegou a disparar um tiro de bala de borracha para dispersar os manifestantes mais radicais. Estes reagiram jogando pedras e bombas caseiras.

Na avenida Senador Salgado Filho, durante a passagem dos manifestantes, algumas placas de trânsito foram arrancadas.

Para chegar à Câmara de Vereadores, o movimento que seguia pela avenida Hermes da Fonseca entrou na rua Apodi e depois pegou a avenida Campos Sales.

No cruzamento da avenida Campos Sales com a Jundiaí, onde fica a Câmara Municipal de Natal (CMN), cerca de 50 homens da Tropa de Choque aguardavam os manifestantes.

O desfecho foi o confronto da PM com um grupo de manifestante que desejava ocupar a CMN.

Depois do confronto com tiros de bala de borracha e gás lacrimogêneo da PM e pedras e bombas caseiras dos mascarados, os manifestantes se dispersaram. Um grupo mais pacífico ficou no posto de gasolina da esquina da avenida Campos Sales com Apodi, enquanto os vândalos saíram em direção ao Centro quebrando estabelecimentos comerciais e bancários.

Na Jacaúna Decorações, que teve os vidros quebrados, os vândalos chegaram a retirar do interior da loja duas poltronas de vime, mas desistiram de carregá-las pelo tamanho e chegada da PM.

Depois que os ânimos foram apaziguados, um guarda legislativo que estava no interior da Câmara Municipal passou mal e uma ambulância do SAMU o conduziu para um hospital com suspeita de infarto.

PM NÃO CUMPRE O QUE FOI ORIENTADO PELO CDDPH

Segundo orientação do Conselho de Defesa dos Direitos Humanos (CDDPH), o uso da força só deve ser empregado quando for o único meio possível para resguardar a integridade física de agentes públicos e conter ações violentas.

A recomendação foi enviada pelo CDDPH da Presidência da República para a governadora  do RN, Rosalba Ciarlini (DEM), sobre o comportamento a ser adotado pelas forças policiais nos protestos de ruas, atendendo a Resolução Nº 6 de 18 de junho deste ano, que dispõe sobre a garantia de direitos humanos e aplicação do princípio da não violência no contexto das manifestações.

A resolução recomenda que seja evitado o uso de armas letais, e que o armamento de baixa letalidade só deve ser aplicado em casos extremos.

A Secretaria do Estado de Segurança Pública (Sesed) e Comando Geral da Polícia Militar receberam o oficio no dia 15 de julho, com a recomendação de que às forças policiais atuem de forma controlada em eventos públicos e na execução de mandados judiciais.

 

ANÁLISE DO JORNALISTA

Analisando o confronto como jornalista independente, posso garantir que houve premeditação de ambos os lados. A PM orientou a Tropa de Choque a não deixar os manifestantes se aproximarem do prédio da Câmara de Vereadores, assim como um grupo de encapuzados já tinha decidido numa pequena plenária realizada na concentração em frente ao Natal Shopping que iria invadir a casa legislativa.

Um dos suspostos líderes do movimento chegou a colocar em votação que a manifestação deveria ficar apenas em frente do Natal Shopping ocupando a BR-101 por algum tempo, mas outros mais radicais, encapuzados, colocam em votação que o protesto deveria ir para Câmara, como uma espécie de homenagem aos estudantes que na quinta-feira tentaram ocupar a casa e foram expulsos pelos guardas legislativos.

Alguns manifestantes acusaram a Tropa de Choque de ter iniciado o confronto, mas foram os mascarados que iniciaram o embate jogando as primeiras pedras. Mas a reação da PM que poderia ter sido mais comedida depois que atirou as primeiras bombas de gás e de balas de borracha.

O excesso da PM se caracterizou na hora que os manifestantes (pacíficos e vândalos) recuaram até um posto de gasolina. Pessoas pacíficas foram atingidas por balas de borrachas e até um prédio residencial da rua Apodi recebeu uma bomba de gás mal direcionada pelos policiais responsáveis por este tipo de artefato.

Alguns soldados da Tropa de Choque atiram contra o posto de gasolina, até que um jornalista chamou a atenção de um oficial que havia outras pessoas no local. Foi ai que o oficial mandou parar de atirar.

Antes de iniciar o confronto, este jornalista perguntou a um oficial se o Comando da PM havia orientado a Tropa de Choque a não usar de força desproporcional no controle de manifestação, segundo recomenda o Conselho de Defesa dos Direitos Humanos (CDDPH).

O conselho recomenda o uso da força só quando for o único meio possível para resguardar a integridade física de agentes públicos e conter ações violentas.

A partir do momento que a PM já coloca sua Tropa de Choque em posição de enfrentamento já é com segundas intenções. Para este jornalista, a força policial deveria era ficar posicionada em frente da Câmara Municipal para proteger o patrimônio público, como fez nos manifestos anteriores em relação à Governadoria.

Ai, no caso dos manifestantes começarem a jogar pedras na tropa de choque com o  intuito de confronto, a reação seria natural dentro das recomendações do Conselho de Direitos Humanos.

No caso desta sexta-feira, eu conversei com um oficial da Tropa de Choque e ele desconhecia qualquer orientação do seu comando às recomendações do Conselho de Defesa dos Direitos Humanos.

Já para o comandante geral da PM, coronel Francisco Araújo Silva, em declaração para o G1, RN, o portal da Rede Globo, a intervenção policial ocorreu em legítima defesa. "O protesto seguiu pacífico até a Câmara Municipal, quando alguns manifestantes atiraram pedras em PMs e tentaram invadir o prédio. Nossos homens, em legítima defesa e para proteger o patrimônio público, tiveram que reagir", afirma.

Os locais que sofreram as ações dos vândalos foram: a loja da Jacaúna Decorações, na esquina da rua Apodi com a avenida Prudente de Morais; o escritório Rui Cadete, na rua Apodi; as agências dos bancos Bradesco e Santander da avenida Rio Branco, além do Shopping Cidadão, na mesma  avenida; e o edifício Ducal, na avenida João Pessoa.

Fica o registro que um dos líderes do movimento ainda tentou manter o protesto apenas na BR-101, mas um outro grupo formado pelos encapuzados decidiu tomar a Câmara Municipal como protesto pela tentativa frustrada de um outro grupo de estudantes na tarde da quinta-feira, quando a guarda legislativa usou de spray de pimenta e de força física para retirar os jovens do pátio daquela casa legislativa.

O vereador Sandro Pimentel, do PSOL, disse que vai pedir a demissão do comandante da Guarda Legislativa que declarou para a imprensa que não houve excessos na retirada do estudante. Este comandante deve ser cego ou não assistiu o vídeo na InterTV Cabugi sobre a ação de seus subordinados que se mostraram despreparados para atuar num caso desses. 

Paulo Francisco

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