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Sexta-feira, 02 de agosto de 2013 às 17:23:00

RN é o estado que mais avançou em expectativa de vida de sua gente

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A professora aposentada Terezinha de Jesus Oliveira, nascida no dia 15 de dezembro de 1932, em Cruzeta, no interior do Rio Grande do Norte, no início da década de 80, quando estava com 48 anos, tinha uma expectativa de vida de 61 anos, de acordo com levantamento de esperança de vida ao nascer do IBGE para o Estado, que ocupava o 22º. lugar no ranking entre todos os estados federados.

Depois de 30 anos, na pesquisa de 2010 do IBGE sobre mortalidade, o Rio Grande do Norte foi o estado brasileiro que mais avançou em esperança de vida ao nascer e agora ocupa a 9º posição. Homens e mulheres podem hoje chegar aos 74 anos. Se for levado em conta apenas o sexo feminino, o Estado melhorou ainda mais e está na 8º posição. Isto significa que as mulheres estão hoje vivendo 17 anos a mais do que há 30 anos.

Já os homens ganharam uma sobrevida de 14,7 anos. Em 1980, eles tinham perspectiva de viverem até os 55,5 anos. Agora, este número subiu para 70,2 anos.

No Brasil, a expectativa de vida do brasileiro pulou de 62,52 anos em 1980 para 73,76 anos em 2010, ou seja, uma sobre vida de mais 11,24 anos, segundo a Tábua de Mortalidade para o Brasil, divulgada na sexta-feira, 2, pelo IBGE.

Considerando as mulheres, a esperança de vida nestas três décadas passou 65,69 anos para 77,38 anos.

De acordo com o IBGE, enquanto o maior aumento de expectativa de vida aconteceu no Rio Grande do Norte, que avançou de 58,19 anos para 74,04 anos, considerando homens e mulheres, o menor salto ocorreu no Maranhão, que passou de 57,5 anos na década de 80 para 68,7 agora.

Já o estado com maior expectativa de vida é Santa Catarina, com 76,8 anos. Na década de 80, o estado era o terceiro no ranking do IBGE, com 66,6 anos, atrás do Rio Grande do Sul (67,8 anos) e Distrito Federal (66,8 anos).

Comparando com outros países, o Brasil está na 91º posição em esperança de vida, enquanto o Japão é o primeiro colocado com 83 anos, a China e Hong Kong aparecem em segundo com 82,8 anos de expectativa. Terceiro colocado, na Suíça uma pessoa de ambos os sexos pode chegar a 82,14 anos de vida.

Na América do Sul, o Brasil perde para o Chile (79,2 anos) e Argentina (73,76 anos).

VIDAS SECAS

Com 96 anos, o comerciante aposentado Pedro Feliciano de Medeiros, também nascido em Cruzeta, a 230 km de Natal, na região do Seridó, e a professora aposentada estão com sobrevida acima das estatísticas. Ambos são lúcidos e vivem hoje em Natal.

Mãe de dois filhos e uma filha, Terezinha de Jesus tem seis netos, entre os quais a ex-miss Brasil 2009, Larissa Costa, a médica Priscila, a advogada Lorena, a administradora Thaís Helena e Diogo, este formado em comércio e exterior e cursando direito. Ela tem fotos dos netos espalhados pela casa e se orgulha de ver todos formados, com exceção de José Luiz que te apenas nove anos.

Ela conta que chegou a Natal aos nove anos de idade, em 1941, em plena 2ª. Guerra Mundial, após o pai Antônio Emídio da Silva, comerciante, ter falido diante de uma crise do algodão.

Segundo ela, naquela época, o comércio vendia para os sertanejos com a promessa de pagamento com o apurado da safra do algodão que acontecia no final do ano. Mas diante da seca e mesmo de pragas, muitos agricultores perdiam tudo e ai não podiam quitar suas dívidas no comércio local.

“Meu pai tinha um comercio forte em Cruzeta, que naquela época era distrito de Acari. Mas com a crise a família toda (pai, mãe e meus irmãos Raimundo e Francisco) veio para Natal. Chegamos de caminhão durante um blackout, quando as luzes da cidade eram apagadas diante de ameaças de ataque de aviões alemães”, lembra Terezinha.

Durante a Segunda Guerra Mundial, Natal abrigou uma base aérea norte-americana que serviu para combater tropas alemãs no Norte de África, devido a sua proximidade, cerca de três mil quilômetros. Nesta época, a cidade, que tinha cerca de 50 mil habitantes, chegou a receber mais de 40 mil soldados norte-americanos durante o período que a base esteve em atividade.  

Segundo Terezinha, na família, a longevidade é uma característica. O pai morreu com 84 anos, mãe com 79, os irmãos com mais de 80 anos e o marido José Luis com 81 anos.

Entre as muitas lembranças da professora aposentada, que há quatro anos foi curada de um câncer no intestino, está do seu pai procurando o bispo de Natal, em 1951, Dom Marcolino Esmeraldo de Souza Dantas, para não deixá-la ser cantora de rádio.

“Eu gostava de cantar as músicas de Carmem Costa e Nora Ney. Nesta época, meu pai era conhecido como ‘homem dos livros’ por possuir comércio de vendas de livros religiosos. Naquela época, a reputação dos artistas não era nada boa. Eu queria cantar nos programas da rádio Educadora de Natal, mas meu pai procurou o bispo e pediu para não me deixar cantar, que até preferia que eu estudasse”, conta.

Segundo a professora, naquela época, na verdade, o seu pai queria era comprar uma máquina de costura para ela trabalhar, mas aceitou que continuasse a estudar só para que não se tornasse cantora. E assim Terezinha acabou concluindo o Normal (ensino equivalente ao ensino Complementar de hoje) e se tornou professora de jardim de infância. Depois chegou a diretora de colégio em Natal.

Hoje, morando com filha Lúcia Helena numa casa no bairro de Lagoa Nova, Terezinha se emociona ao lembrar-se de sua juventude e do seu sonho de ser cantora. Com boa memória, ela cantarola “Quase”, uma música de Carmem Costa. E afirma que sua longevidade está ligada a sua forma de viver.

“Sou tranquila, não tenho raiva de ninguém, não guardo ódio, isto ajuda a gente viver mais”, diz a professora aposentada, que gosta de ver novela na televisão e costurar suas próprias roupas para passear, assistir missa e frequentar uma vez por semana um grupo da melhor idade, onde gosta de cantar.  

EM PAU DE ARARA

O comerciante aposentado Pedro Feliciano de Medeiros, 96 anos, nasceu no dia 9 de junho de 1917, num sítio de Cruzeta, onde residiam seus pais, sertanejos que viviam da agricultura de subsistência. Segundo ele, na infância, chegou a passar fome juntamente com os outros 15 irmãos (oito homens e oito mulheres), depois das muitas secas que assolavam o sertão nordestino.

Hoje, seu “Pedrinho” vive em Natal com a filha dentista Mauricéa, que antes cuidou da mãe Angelita, que morreu há três anos, depois de sofrer quase 12 anos de Alzheimer. Angelita morreu com 90 anos.

Segundo a dentista, mãe de três filhos, a maior dificuldade foi cuidar da mãe doente e ainda trabalhar. Nesta época, ela participou de um projeto de saúde da secretaria Municipal de Saúde de Natal para integrar familiares com a doença de Alzheimer.

“Era uma troca de experiência entre familiares e cuidadores de pessoas com a doença. A reunião era semanal e me ajudou muito a enfrentar o tratamento de minha mãe”, conta a dentista, que agora cuida do pai.

Antes da morte da mãe, segundo Mauricéa, seus outros dois irmãos que moram em Natal, José Leto e Maristela, faziam um revezamento com ela para cuidar dos pais.

“Depois da morte da mamãe, meu pai preferiu ficar aqui, já que o meu irmão mais velho reside no mesmo prédio e no mesmo andar, assim nós dois damos atenção a ele”, diz.

Lúcido, Pedro Feliciano, que passou por três cirurgias (próstata, hérnia e cataratas), gosta de narrar sua aventura para ir trabalhar em São Paulo na década de 40, aos 26 anos, após ter enfrentado muitas secas.

Segundo ele, sua viagem também foi para encontrar uma ex-namorada que antes se mudou para São Paulo em busca de uma vida melhor. Para chegar a capital paulista, Feliciano conta que pegou um pau de arará (caminhão que transportava pessoas no Nordeste) entre Cruzeta e Juazeiro da Bahia. Depois, no Vapor São Salvador, chegou a Pirapora (MG). E de trem fez o percurso até São Paulo.

É nesse trecho que ele lembra que estava tão cansado da viagem de mais de 30 dias que dormiu no trem e foi parar numa cidadezinha do Paraná. E na estação de trem, só com uma maleta velha, encontrou um engenheiro que trabalhou na construção do açude de Cruzeta, sua cidade, e o ajudou, dando uma blusa para se proteger do frio.

Ao voltar para São Paulo, acabou chegando um dia depois que a ex-namorada havia casado com um primo dela. Decepcionado, o comerciante aposentado conta que foi morar numa casa onde outros potiguares já viviam em São Miguel Paulista. Ali, trabalhou na Companhia Nitroquímica Brasileira, do Grupo Votorantim, que desde 1932 gerou uma grande migração de nordestinos para este distrito de São Paulo.

Depois de trabalhar durante dois anos na empresa, Pedro Feliciano retornou para Cruzeta, trazendo na bagagem um dinheiro que economizou. Segundo ele, a sua intenção era retornar para São Paulo.

“Eu não saia para nada em São Paulo, só trabalhava e ficava em casa para não gastar. Meus amigos convidavam para sair para beber, mas eu não ia”, relembra.

De volta a Cruzeta, a pedido da mãe e para cuidar das irmãs, já que os irmãos se dispersaram por vários estados, como São Paulo, Mato Grosso e Goiás, Pedro Feliciano desistiu de voltar para o Sul e abriu uma bodega de vender cachaça, com a ajuda de um cunhado. E assim a vida comercial de seu Pedrinho teve início e foi bem sucedida em Cruzeta, aonde chegou a possuir o armazém Ideal, que vendia de tudo, de alimentos a roupas e armarinho.

Aos 32 anos, seu Pedrinho casou com a professora Angelita, com quem teve cinco filhos, todos formados, sendo que quatro (Leto, Maristela, Mauricéa e Ivan) vivem em Natal e um em Brasília, o caçula Itan.

Aposentado do comércio, Pedro Feliciano tem a atenção da família e da cuidadora Zélia Ferreira da Silva, 47 anos, que há 20 anos cuida de idosos. Do passado, mais precisamente de sua vida com os pais Pedro Paulino e Maria Idalina, ele se lembra do trabalho desde cedo na terra plantando milho, feijão, arroz e da galinha cabidela (ensopada) que sua mãe fazia.

Hoje, ele conta que ainda gosta de comer galinha, só que agora preparada pela sua cuidadora.

Sobre sua longevidade, o comerciante aposentado acredita que é resultado da alimentação saudável que tem e também por nunca ter bebido ou fumado.

“Hoje como muitas frutas, não como carne, apenas peixe e frango. Meu filho mais velho não me deixa comer camarão, mas de vez em quando não faz mal e eu como”, diz ele, sorrindo, diante desta peraltice.

Como andou sofrendo umas quedas, seu Pedrinho agora usa um andador para ajudar a se locomover.

“Eu sou bem cuidado pelos meus filhos e netos, não posso reclamar de nada”, elogia. E complementa: “a Zélia também cuida de mim direitinho”.

Ainda com a vista e audição boas, Pedro Feliciano assiste televisão, preferindo jornal e a novela Flor do Caribe que foi gravada em Natal, além da TV Senado, onde gosta do senador Paulo Paim (PT-RS) por defender os aposentados.

“Paguei a vida toda minha aposentadoria em cima de 20 salários mínimos como comerciante e hoje não recebo nem cinco salários”, reclama seu Pedrinho com veemência.

HOSPEDAGEM GERIÁTRICA

A contadora Nádia Cristina trocou o Rio de Janeiro por Natal há 11 anos, após a transfertência do seu marido, um cirurgião-dentista. Diante da doença de Parkinson da mãe, Eni Vieira, 66 anos, e de Alzheimer da avó, Lidia Vieira, 87, ela conta que há três anos abriu a Morro Branco Hospedagem Geriátrica, após sentir na pela as dificuldades que as famílias têm para cuidar de pessoas idosas e doentes.

"Aqui nós temos todo o cuidado com a medicação, banho, uma alimentação correta e na hora certa, além de que o idoso necessita de atenção, carinho e muita paciência. Afinal, eles parecem crianças, alguns mais rebeldes, mas nada que com jeito e amor não se consiga resolver uma situação", explica Nádia.  

Segundo ela, hoje em sua hospedagem no bairro de Morro Branco, de classe média, estão 14 pessoas, sendo 12 mulheres e dois homens na faixa etária dos 80 a 90 anos.

"Em média, em Natal, estas clínicas para cuidar de pessoas idosas cobram entre R$ 2.500,00 e R$ 5.000,00 por mês", diz ela, que acrescenta que a realidade dos idosos em asilos públicos é bem diferente desta que consegue dar a sua mãe e avó.

AS MELHORIAS

Para a equipe do IBGE responsável por esta pesquisa no Rio Grande do Norte, o aumento da esperança de vida no Estado pode ser explicado por vários fatores, como as melhorias nas condições sanitárias (mais domicílios com esgotamento sanitário e água potável), aumento da escolaridade feminina, maior acesso da população aos serviços de saúde, entre outros.

Segundo Ivanilto Passos de Oliveira, do setor de Comunicação do IBGE-RN, também contribuíram para esta elevação de perspectiva de vida da população potiguar e da redução da mortalidade infantil as campanhas de vacinação, tanto para crianças como para idosos, as políticas de assistência à saúde básica, os programas de transferência de renda, bem como o incremento da produção de petróleo no estado a partir da década de 80 e a implantação da Estratégia Saúde da Família em todos os municípios do Estado. 

SANEAMENTO BÁSICO

Há 30 anos, o Rio Grande do Norte praticamente não possuía esgotamento sanitário no interior, onde se concentrava a maior parte da população potiguar. Na década de 80, o estado tinha 1,8 milhões de habitantes, enquanto Natal era uma cidade de pouco mais e 400 mil moradores.

Segundo a CAERN (Companhia de Águas e Esgotos do Rio Grande do Norte), até os anos 80, praticamente o estado não tinha esgotamento sanitário. Em 1994, a cobertura chegava a 11,37% e hoje este percentual está com 23,28%, com cerca de 175 mil residências ligadas ao sistema de esgoto, atingindo uma população de 607 mil, ou seja, menos de 20% dos potiguares têm cobertura de saneamento básico.

Em Natal, o sistema de esgotamento sanitário atinge 36%, atingindo 91.837 domicílios, correspondendo a 304 mil moradores.

A CAERN informa que até o ano de 2016 o Rio Grande do Norte terá 80% saneamento sanitário, enquanto Natal terá 100% de cobertura.

Para chegar a esta cobertura em Natal, a companhia informa que vai investir nos próximos anos mais de R$ 500 milhões em esgotamento sanitário. Já para o interior, os investimentos devem ultrapassar a R$ 1 milhão.

Quando ao abastecimento de água potável no estado, a CAERN informa que cerca de 75% da população possui água encanada em casa, com 855 mil ligações ativas. Já Natal tem 100% de sua população atendida pela rede de água, com um total de 274 mil residências.

A meta da CAERN é atingir 2016 com 100% de cobertura de água encanada no Rio Grande do Norte.

QUEDA DE MORTALIDADE INFANTIL

Os dados de mortalidade infantil divulgados pelo IBGE também mostraram uma melhoria nas taxas, com o Rio Grande do Norte registrando agora 20,6 mortes por cada grupo 1000 crianças nascidas, contra 111,6 de 1980.

O estado pulou da 24º lugar para 18% entre os 26 estados e mais o Distrito Federal. Na região Nordeste, o Rio Grande do Norte só está a atrás de Pernambuco e Ceará, que registram taxas de 18,5 e 19,7 mortes por grupos de mil nascimentos.  

Santa Catarina é o estado que apresentou menor taxa de mortalidade infantil, com 9,2 mortes por 1000 nascimentos. Na década de 80, aquele estado estava em terceiro lugar, com 42,2 mortes, atrás do Rio Grande do Sul e Distrito Federal.

Já Alagoas é o estado que registrar o maior número de mortes de crianças atualmente: são 30,2 contra 117,1 de 1980.

No Brasil, a taxa geral de mortalidade infantil caiu 75,8% nesses últimos 30 anos. Em 1980, para cada grupo de mil nascidos, 61,7 crianças morriam antes de completar um ano de vida. Hoje, são 16,7 mortes.

A pesquisa aponta também que a probabilidade de um recém-nascido não completar 5 anos de vida também caiu no Rio Grande do Norte. Em 1980, 148,2 crianças até completar cinco anos morriam. Hoje, este número caiu para 20,7.

A transferência de renda, às campanhas de vacinação e às políticas públicas de assistência para gestantes são medidas apontadas pelos pesquisadores do IBGE para a melhoria dos índices de mortalidade infantil no país.

Mesmo diante desta melhoria, o Brasil continua atrás de muitos países em mortalidade infantil, ocupando a 94º posição, enquanto os três primeiros colocados são Cingapura (2,5), Islândia (2,7) e China (2,9). Em comparação a seus vizinhos da América do Sul, o Brasil também perde para o Chile (47º. Colocado) e a  Argentina (79º), que têm 7,99 e 14,51 mortes por mil nascidos.

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