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Terca-feira, 06 de agosto de 2013 às 00:37:00

Polícia Federal prende suposto grupo de extermínio que tinha PMs como integrantes

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Numa operação que contou com 215 policiais, a Policia Federal do Rio Grande do Norte realizou na madrugada desta terça-feira, 6, uma operação que prendeu cinco policiais militares e 12 civis acusados de pertencerem a um grupo de extermínio que atuava no Estado e ameaçava de morte uma delegada de Polícia Civil, um promotor de Justiça e um agente da Polícia Federal. A operação foi denominada Hecatombe, numa referência as mortes coletivas de muitas das vítimas.

A informação das ameaças de morte foi confirmada pelo delegado Alexandre Ramagem, da Divisão de Direitos Humanos da Polícia Federal, durante entrevista coletiva na manhã desta terça-feira na sede da PF, em Natal.

Segundo a PF, o grupo é responsável por pelo menos 22 homicídios no estado, com as vítimas apresentando características de execução.

"É um grupo de alta periculosidade. Eles chegaram a produzir coletes e distintivos da Polícia Federal. Se passaram por policiais para executar vítimas", comentou Ramagem. 

A operação Hecatombe foi realizada em Natal e nos municípios de São Gonçalo do Amarante e Parnamirim, na região Metropolitana, e em Cerro Corá, a 150 km da capital. E contou com a participação de 30 policiais do Comando de Operações Táticas Especializado em Operações de Alto Risco, de Brasília.

De acordo com informações da PF, o grupo cobrava em média entre R$ 500 e R$ 50 mil para matar as pessoas. Os integrantes da quadrilha atuavam também com pistolagem, ou seja, eram contratados para executar pessoas.

Segundo o Ramagem, mas também houve mortes sem relação nenhuma com execuções contratadas.

"Houve um caso em que uma morte se deu por um motivo mais que banal. Um dos presos executou uma pessoa apenas para 'estrear' uma pistola que havia comprado", relatou o delegado.

JUSTIÇA SOLTOU PM PRESO EM ABRIL

Apontado como chefe do grupo de extermínio, o soldado da PM, Wendel Fagner Cortez, preso em abril deste ano pela própria Policia Militar, segundo a PF, deveria ter sido resgatado pelo grupo numa invasão ao quartel do batalhão de Operações Especiais (BOPE), na zona Norte de Natal. Mas a operação acabou não acontecendo.

No dia 19 de abril deste ano, a PM e a Divisão Especializada em Investigação e Combate ao Crime Organizado (Deicor), da Polícia Civil, realizaram uma operação denominada 'Força Tarefa' para prender policiais militares suspeitos de participação em crimes de homicídio. Na época, além de Wendel também foi preso o soldado Rosivaldo Azevedo, este mais tarde liberado por uma decisão judicial. Azevedo agora foi preso novamente.

Na operação da PF nesta madrugada de terça, dos 21 mandados de prisão expedidos pela Justiça, 17 deles foram cumpridos e resultaram nas prisões de cinco PMs e 12 civis. Outras quatros pessoas são consideradas foragidas, sendo dois policiais militares.

De acordo com a PF, que não revelou os nomes dos presos e foragidos, a quadrilha possuía geralmente três chefes, mas havia mudanças por motivos de desavenças entre os líderes.

"Eles escolhiam quem seria o executor, ou quem levantaria informações sobre a vítima, entre outras coisas", explicou o delegado da PF.

As investigações da polícia indicam que entre as vítimas do grupo também existiam PMs. E as execuções também podiam ser de pessoas por motivos de desavença, queima de arquivo com a eliminação das testemunhas dos crimes praticados pela e disputa por pontos de tráfico de drogas.

"Eles demonstravam total desapego à vida. Começaram por motivos financeiros, mas o caminho levou à banalização da vida", disse o delegado.

A PF começou as investigações ao grupo há um ano, por solicitação do Centro de Inteligência da Secretaria Estadual de Segurança e Defesa Social. O ministério Público do Estado também auxiliou nos trabalhos.

Segundo o secretário de Segurança Pública, Aldar da Rocha, este tipo de crime está se tornando muito comum no estado, daí a solicitação a PF para também investigar estes supostos grupos de extermínio.

"Queremos combater este tipo de crime para dar tranquilidade e segurança à população", afirmou Rocha.

Segundo a PF, durante as investigações foram encontradas provas do envolvimento do grupo de extermínio em vinte e dois homicídios consumados e em outras cinco tentativas de assassinato, a maioria ocorridas na Zona Norte de Natal. Alguns dos investigados possuem antecedentes por homicídio. Um dos integrantes do grupo já foi preso em posse de diversas armas de fogo, supostamente utilizadas nos assassinatos, informou a PF.

A Assessoria de Comunicação da PF informou que na operação foram cumpridos 21 mandados de prisão, 32 de busca e apreensão e nove de condução coercitiva (quando a pessoa é levada para prestar depoimento). Os PMs estão presos no quartel da PM e dois outros presos em flagrantes por porte de armas foram para o presídio.

Os presos responderão por crimes de homicídio qualificado praticado por grupos de extermínio e constituição de grupo de extermínio, cujas penas máximas para os principais integrantes da quadrilha podem chegar a 395 anos de prisão.

PMs PRESOS ESTÃO RECOLHIDOS NO QUAREL DO BOPE

O comando da Policia Militar do Rio Grande do Norte informou que os policiais militares presos pela Polícia Federal serão expulsos da corporação caso sejam comprovados os crimes a eles imputados.

O comandante Geral da PM, coronel Francisco Canindé de Araújo Silva, informou que serão abertos processos administrativos para que sejam apurados os crimes praticados pelos PMs acusados de integrarem um grupo de extermínio.

"Nós vamos solicitar cópias da representação do delegado e cópias dos mandados. Em posse desses documentos, os processos administrativos serão instaurados", informou o comandante.

Segundo Silva, os policiais que tiverem menos de dez anos de corporação respondem a um processo administrativo disciplinar, enquanto os que tiverem mais de 10 anos passarão pelo Conselho de Disciplina, com amplo direito a defesa. Na PM eles responderão administrativamente para poderem ser expulsos da corporação, enquanto na Justiça vão responder pelos crimes dos quais são acusados.

Os PMs presos na operação da PF e recolhidos no quartel do BOPE são: os soldados Djalnison Bezerra, Rubens  Bezerra Rocha, Erlon Félix Amorim e Rosivaldo Azevedo, além do cabo Jairo Queiroz da Silva e do sargento Itagiba Maciel de Medeiros.

Segundo a PM, os policiais Wendel Cortez, Rosivaldo Azevedo e Jairo Queiroz são reformados pela Justiça, ou seja, recebem aposentadorias do Estado. Os demais estavam na ativa. Rosivaldo tinha sido preso em abril e liberado por decisão judicial. Agora foi preso na operação da PF.




Comentários

  • Eliane

    isso é um absurdo porque voces não vão se ocupar em prender esse vagabundos que matam roubam e faz tudo que quer ? esses policias são INOCENTES e a população precisa deles aqui mas que seja feita a vontade de Deus. e eu creio que ele vai tirar esses policias dai. seus HIPÓCRITAS...

    27/09/2013 21:23
  • ITAGIBA FILHO

    OPERAÇÃO SEM PÉ NEM CABEÇA, PRENDERAM BONS POLICIAS QUE OS MORADORES QUE OS CONHECIAM OS VALORIZAVA, NEM FORAM JULGADOS, CERTEZA QUE A PF RECEBEU PROPINA PARA PRENDER ESSES BONS POLICIAIS QUE TRABALHAVAM DE VERDADE.

    12/05/2014 12:45

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