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Terca-feira, 17 de janeiro de 2017 às 02:14:00

Terça-feira de tensão em Alcaçuz com tiros, correrias e feridos no confronto de facções

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O clima de tensão e ameaça de uma nova carnificina na penitenciária de Alcaçuz, a 15 km de Natal, continuou nesta terça-feira, 17, onde os presos dos pavilhões 1, 2, 3 e 4 se uniram sob o comando da facção sindicato do Crime do Rio Grande do Norte para enfrentar os presos da facção Primeiro Comando da Capital (PCC), que no sábado iniciou uma rebelião no maior presídio do Estado.

Foram 26 mortes de presos do sindicato do Crime no sábado de motim e quatro feridos da mesma facção nesta terça-feira. Seria a revanche do sindicato do Crime, que queria invadir o pavilhão 5 para matar integrantes do PCC.

O confronto só não aconteceu por volta do meio dia porque a Polícia Militar e os agentes da Força Nacional que fazem a guarda externa do presídio de Alcaçuz reagiram com tiros de borracha e mesmo de fuzil para deter os presos do sindicato do Crime que pretendia invadir o pavilhão 5. Ambas as facções fizeram barricadas com materias que sobraram da depredação do presídio.

Enquanto os tiros pipocavam em Alcaçuz, o governador do Rio Grande do Norte, Robinson Faria, afirmava em Brasília, nesta terça-feira, que o massacre que resultou em 26 mortes confirmadas oficialmente na penitenciária de Alcaçuz foi "retaliação" à rebelião em Manaus, que ocorreu no inicio de janeiro.

Uma mãe de um preso, em entrevista exclusiva a este repórter, acusa a facção PCC (Primeiro Comando da Capital) de ter “comprado” os diretores do presídio de Alcaçuz e do complexo anexo (presídio Rogério Coutinho Madruga) para facilitar a invasão do pavilhão 4 que era ocupado pelos presos da facção sindicato do Crime do Rio Grande do Norte.

Irene, nome fictício da mãe, relatou que desde outubro as autoridades do Rio Grande do Norte foram alertadas para o perigo do confronto entre as duas facções, mas nada foi feito para impedir a carnificina de sábado à tarde, quando aconteceu a rebelião.

Ela, que conversa pelo celular com o filho diariamente, contou que no sábado, inicio da rebelião, agentes penitenciários e PMs facilitaram a entrada dos presos do PCC no pavilhão 4, assim como denuncia que os integrantes da facção rival do sindicato recebeu  revólveres e pistolas.

Nesta terça-feira, a facção sindicato do Crime conseguiu a adesão dos presos de outras facções como CV (Comando Vermelho), FDN (Facção do Norte) e Massa Potiguar para enfrentar o PCC. A Massa Potiguar é formada por internos que desejam ficar neutros. 

Segundo Irene, o seu filho faz parte da Massa Potiguar, que são presos com penas menores que desejam pagar pelos seus crimes e retornar ao convívio da sociedade.

“Meu filho não faz parte de nenhuma facção, ele foi condenado a 10 anos de prisão, acusado de tráfico de drogas, quando na verdade era usuário”, conta.

Os presos dos pavilhões 1, 2 e 3 se juntaram aos presos do pavilhão 4 do sindicato do Crime e tentaram nesta terça-feira, por volta das 11 horas, invadir o pavilhão 5 (presídio Rogério Coutinho) ocupado pelos presos do PCC para vingar as 26 mortes  dos integrantes do grupo ocorrida no sábado.

A Polícia Militar e agentes da Força Nacional, responsáveis pela segurança externa do presídio, atiraram com balas de borrachas contra os integrantes do sindicato do Crime, que resultou numa correria geral de presos que estão soltos nos pátios dos quatro pavilhões que compõe o presídio de Alcaçuz.

Depois de muitos tiros, alguns presos do sindicato do Crime ligaram para parentes e relataram que havia feridos no presídio.

Do alto de uma duna, a 300 metros da penitenciária, onde jornalistas, fotógrafos e cinegrafista acompanham a rebelião, era possível ver um carrinho de transporte de alimentos com quatro feridos sendo empurrado e puxado por dois detentos em direção á frente do presídio de Alcaçuz, onde fica a direção da unidade.

Mais tarde, uma ambulância do Samu deixou o presídio. Segundo informações, um preso levou um tiro na mãe e foi levado para o pronto socorro do hospital Walfredo Gurgel, em Natal. Os outros feridos teriam sido atendidos no presídio mesmo. Não se tem informação de onde partiu o tiro, se dos policiais militares, dos agentes da Força Nacional ou mesmo dos presos do PCC, que teriam recebidos armas de fogo antes da rebelião.

GOVERNADOR DESINFORMADO

O governador do Rio Grande do Norte, que esteve nesta terça-feira em Brasília para pedir ajuda ao governo Federal para enfrentar a crise nos presídios do Estado, em entrevista, declarou que a situação no presídio estava controlada e que o confronto entre facções era uma retaliação pelos acontecimentos de Manaus, no inicio de janeiro.

“Até hoje, nunca tinha havido um confronto dentro dos presídios entre PCC e Sindicato do Crime RN. Virou uma guerra. Começou no Amazonas, isso é uma retaliação. Essa briga não é do RN, é uma retaliação do que aconteceu no Amazonas, é uma vingança ao caso do Amazonas e aconteceu no meu estado, infelizmente”, disse Faria.

O secretário de Justiça e Cidadania do RN, Wallber Virgolino, no domingo, um dia após o inicio da rebelião, havia declarado que o motim em Alcaçuz não tinha relação com o ocorrido no Amazonas e Roraima.

Robinson Faria, que se reuniu com o ministro da Justiça, Alexandre de Moraes, pediu o envio de reforço de agentes da Força Nacional e de avião para transportar os líderes da rebelião para fora do Estado.

"Eu pedi ao ministro Alexandre de Moraes uma divisão especial da Força Nacional, a elite da Força Nacional, para casos extremos como a do Rio Grande do Norte. Pedi um avião para buscar [e transferir] presos. E, também, pedi uma colaboração técnica, a expertise que o governo federal tem nessa área para dar um subsídio ao estado. Porque precisamos de um auxílio, de uma consultoria nacional, que pode ajudar", explicou o governador.

O governador desinformado está recebendo informações de Alcaçuz de algum “puxa-saco”, pois a imprensa está mostrando a toda hora que o presídio está dominado pelos amotinados. De um lado, os presos da facção PCC controla o pavilhão 5 e os demais presos das outras facções controlam o restante do presídio.

Os familiares dos presos que estão de vigilia em frente ao presídio temem que haja um novo confronto de facções com muitas mortes devido a indiferença do governo do Estado, que ainda não dominou os integrantes do PCC. Para um familiar de preso, até parece que o governo está esperando mais mortes para depois intervir.

(Paulo Francisco, repórter)

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