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Quinta-feira, 19 de janeiro de 2017 às 03:37:00

Novo confronto de presos em Alcaçuz com mortes nesta-quinta-feira

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Depois de cinco dias da rebelião de presos de Alcaçuz, que iniciou no sábado, 14, com 26 mortes, e de um novo confronto de facções nesta quinta-feira pela manhã, no período da tarde, por volta das 17 horas, policiais militares do Batalhão de Choque e do Batalhão de Operações Especiais (BOPE) do Rio Grande do Norte voltaram a entrar na penitenciária para tentar controlar a situação.

No confronto da manhã, presos do pavilhão 5 ocupado pela facção Primeiro Comando da Capital (PCC) entraram em confronto com os internos ligados a facção Sindicato do Rio Grande do Norte (SRN), com registro de mortes e feridos.

Os presos do sindicato chegaram a informar à imprensa via celulares de familiares que ficam nas imediações do presídio que foram quatro mortes de presidiários do PCC. A PM não confirmou as mortes, mas teriam sido retirados três presos feridos para hospitais de Natal.

Os policiais do Batalhão de Choque e do BOPE entraram e permaneceram cerca de 30 minutos no setor dos pavilhões 1,2, 3 e 4, retiraram alguns feridos e em seguida recuaram, não fazendo a muralha humana para separar as duas facções que disputam o controle do presídio. Os PMs iriam passar a noite no setor administrativo do presídio.

O governador em entrevista à Globo News tinha informando no inicio da tarde que autorizara os batalhões especiais da PM para entrar no presídio e formar muralha humana separando os presos rivais. E que os policiais permaneceriam dentro da penitenciária até a construção de uma parede física para separar as facções.

De concreto, os policiais entraram na área externa dos pavilhões e os presos se recolheram ao interior deles. Em seguida, as duas tropas especiais retornaram para o setor administrativo do presídio, onde iriam passar a noite.

Ou seja, a promessa do governador trapalhão não aconteceu. Os presos continuam soltos pelos pavilhões e nenhuma “corrente humana” foi formada pelos policiais.

Já os agentes da Força Nacional que continuam auxiliando na guarda externa do presídio prenderam no final da tarde desta quinta-feira um jovem de 18 anos no momento em que tentava arremessar dezenas de munições de pistola para dentro de  Alcaçuz. Não se tem informação a qual facção pertence o rapaz.

Antes dos batalhões de Choque e Bope entrarem no presídio, por volta das 16h30, presos colocaram fogo no pavilhão 3. Uma fumaça preta era visível de longe saindo do interior do presídio.

No confronto das facções pela manhã, os presos usaram armas artesanais, facões, barras de ferro, paus e pedras.

Segundo informações não confirmadas por um PM que fazia guarda na entrada do presídio, o diretor da penitenciária de Alcaçuz, Ivo Freire, teria recebido um tiro de raspão na cabeça. A polícia não informou de qual facção partiu o tiro.

MAIS CORPOS IDENTIFICADOS

O Instituto Técnico-Científico de Perícia (Itep) identificou mais três corpos nesta quinta-feira, 19, do total de 26 corpos retirados da penitenciária Estadual de Alcaçuz durante a rebelião de presos ocorrida no sábado, 14.

Foram identificados os corpos de Carlos Cleyton Paixão, Francisco Adriano Morais dos Santos e Anderson Matheus Félix dos Santos. As identificações foram por exames papiloscópicos (impressões digitais).

O ITEP até quinta-feira já identificou 19 corpos e faltam outros sete serem identificados.

Os outros 16 identificados são Tarcisio Bernardino da Silva, Antonio Barbosa do Nascimento Neto, Jefferson Souza dos Santos, Jefferson Pedroza Cardoso, Anderson Barbalho da Silva, George Santos de Lima, Diego de Melo Ferreira, Luiz Carlos da Costa, Eduardo Reis, Charmon Chagas da Silva, Diego Felipe Pereira, Lenílson de Oliveira Pereira da Silva, Marlon Pietro do Nascimento, Cícero Israel de Santana, Felipe René Silva de Oliveira e Willian Andrei Santos de Lima.

 Entrevista do governador Robinson Faria na Globo News

Governador:  “A curto prazo agora [o objetivo] é evitar uma nova briga, uma nova matança entre eles. Por isso nós vamos entrar daqui a pouquinho, a operação vai começar já, já. Em um segundo momento vamos transferir os presos das facções para presídios separadamente.”

Há risco?
"É claro que existe risco, mas é dentro da lei. A lei faculta o direito de a PM intervir em caso de extremos.”

Ordem: retomar o presídio
"A ordem é retomar a ordem do presídio, fazer uma corrente humana dentro, de policiais, separando eles, para acabar com essa folga de ficarem perambulando, e amanhã se inicia a construção de um paredão, de placas de concreto, para separar até você ter toda a remoção, no estado inteiro, de quem é PCC e quem é sindicato do crime.”

Desafio
"O Sindicato desafiou o governo, assim como o PCC também me desafiou, a minha integridade, se eu tirasse presos da Alcaçuz”.

Esquecer ou intervir?
“Você acha melhor a gente esquecer Alcaçuz, deixar todo mundo se matar lá dentro, ou tentar intervir para evitar uma nova tragédia?”

Negociação?
“Não vou negociar. Vamos enfrentar. Não vou fazer nada fora da lei, mas vamos enfrentar, como enfrentamos agora e em todas as rebeliões que já aconteceram.”

'Evitar Carandiru 2'
O governador justificou por que motivo os policiais não entraram em Alcaçuz já na noite de sábado (13), quando ocorreu a primeira rebelião. "Naquela ocasião era noite. Eles estavam armados, nós escutamos vários tiros. Se eu ordenasse que a polícia entrasse em Alcaçuz, podia ser um Carandiru 2 [...] A polícia ia entrar, encontrar presos armados, violentos, e iria ter uma matança muito grande, tanto de policiais quanto de apenados. Eu não posso autorizar a polícia a entrar se ela não se sentir segura para entrar.”

“Nós entramos duas vezes, eu só proibi entrar no sábado à noite porque seria um Carandiru 2. Mas agora não há mais cela. Nós vamos entrar para evitar uma mortandade, essa vingança do sindicato do RN contra o PCC.”

Destruíram o presídio
“A polícia entrou, recolheu o que pode recolher, recolheu armas. Agora, eles destruíram o presídio. Terá que ser feita toda uma nova reconstrução.”

“Essa guerra que está sendo agora, que vamos acabar já já, é de armas de pedaço de ferro, de pedaço de cano, do que foi destruído. Não foi negligência, não houve negociação, e não vai haver negociação porque o governador não autoriza negociação com quem quer que seja, nem com PCC, nem com Sindicato do RN.“

Presos desafiam o estado
“É muito difícil, mas temos que ter coragem e enfrentar. Já pedi ao presidente Temer que envie as Forças Armadas para proteger as ruas, a população (...). Eles estão [as facções] desafiando o estado. Cada vez estão mais aparelhados, e fica mais difícil, e o estado vai ficando menor.”

Bloqueadores de celular estão desligados?
O governador admitiu que os bloqueadores de celular do presídio estão desligados. "Desde sábado que eles [presos] conseguiram ter acesso ao setor de operações da empresa que instalou o bloqueador de celular, uma máquina blindada, mas isso será corrigido. Eles estão tão aparelhados que conseguiram ter acesso à central onde ficava o bloqueador."

Criminosos querem intimidar
“Eles querem intimidar [com os ataques pela cidade], fazer medo ao governo, para ver se o governo recua e negocia.”

Intenção: desativar ou reconstruir Alcaçuz
“Esse presídio foi feito já há mais de 20 anos. Foi um equívoco a escolha do local, uma área de duna, arenosa. Temos que depois discutir com o departamento do engenharia, desocupar Alcaçuz, fazer uma realocação, ou interditar de vez ou fazer uma reconstrução para tornar o presídio altamente blindado, seguro.”

Sistema prisional brasileiro faliu
"Temos que mostrar a verdade como ela é mesmo. O Brasil faliu o sistema prisional. (...) Agora que o presidente Temer resolveu fazer essa parceria com os governos estaduais."

FORÇAS ARMADAS NO PATRULHAMENTO DE NATAL

Sem transporte  urbanos na quinta-feira diante dos ataques da facção Sindicato do RN em Natal e no interior, soldados do Exército, Marinha e Aeronáutica voltam às ruas da capital a partir desta sexta-feira, 20, para combater a onda incêndios contra ônibus e prédios públicos.

Os militares farão patrulhamento das principais vias, pontos turísticos e o aeroporto de São Gonçalo do Amarante, onde entram os turistas que visitam Natal.

O uso das Forças Armadas no patrulhamento da cidade foi autorizado pelo presidente Michel Temer.

Ao todo, cerca de 1.200 homens vão integrar a Operação Potiguar 2, que segue até o dia 30 deste mês.

Essa será a segunda vez em seis meses que militares serão empregados no combate à violência de facção criminosa que atua no Rio Grande do Norte, principalmente na Região Metropolitana de Natal.

Em agosto do ano passado, por 21 dias, os soldados das três armas ocuparam as ruas da cidade, após uma série de ataques a ônibus em represália a instalação de bloqueadores de celular nos presídios de Parnamirim e Nísía Floresta, municípios da Grande Natal.

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