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Sexta-feira, 20 de janeiro de 2017 às 02:29:00

Alcaçuz mais calma e três presos feridos resgatados pelos bombeiros

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Depois de cinco dias de tensão, os presos no presídio de Alcaçuz, a 15 km de Natal, viveram uma sexta-feira mais tranquila, sem confrontos entre as facções Sindicato do Rio Grande do Norte (SRN) e o Primeiro Comando da Capital (PCC), que disputam o poder na maior penitenciária do Rio Grande do Norte.

Nesta sexta-feira, o que se podia notar é que os presos estavam mais calmos e poucos eram vistos em cima dos telhados, principalmente no setor dos pavilhões 1, 2, 3 , o setor do sindicato. No pavilhão 4, não havia ninguém.

No pavilhão 5, ocupado pelo PCC, a maioria estava recolhido e pode se ver uns 5 presos nos telhados.

Até um culto foi visto logo no primeiro pavilhão, provavelmente realizado pelos presos de melhor comportamento e que trabalham em setores como a cozinha, enfermaria e setor administrativo. Eles estavam de roupas brancas. Era possível ver próximo outro grupo de presos só de calção azul e sem camisas.

Diante dos ataques do sindicato em Natal e no interior a ônibus, delegacias e prédios públicos, em represália a transferência de presos da facção do presídio de Alcaçuz, a capital do Rio Grande do Norte ficou sem ônibus urbano nesta sexta-feira, deixando cerca de 400 mil pessoas sem o serviço de transporte coletivo, que será restabelecido neste sábado.

Existe a promessa da PM acompanhar os ônibus nos locais mais críticos e sujeitos aos ataques dos bandidos.

As empresas não colocaram seus ônibus nas ruas na sexta-feira temendo se repetir os ataques de quinta-feira, onde 26 veículos foram queimados pelos criminosos.

Ontem à noite, as Forças Armadas (Exército, Marinha e Aeronáutica) iniciaram o patrulhamento na cidade de Natal para evitar novos ataques dos bandidos. Segundo informações, cerca de 2.000 soldados vão patrulhar vários bairros da cidade.

A ORDEM É PARA MATAR

Em Alcaçuz, a tranquilidade dessa sexta-feira foi o resultado, segundo um preso, das ameaças que o Batalhão de Choque e o Grupo de Operações Especiais da Policia Militar fizeram na tarde de quinta-feira, quando o governador Robinson Faria autorizou a entrada dos policiais para separar as duas facções, que vinham se digladiando desde sábado, 14, quando teve inicio a rebelião.

Segundo um preso do SRN, em conversa por celular com este repórter, os policiais na quinta-feira entraram no presídio e deram ordens para eles se recolherem aos pavilhões e manter distância de uma linha separando as duas facções. “O soldado disse que a ordem era atirar para matar quem ultrapassasse uma linha no pátio separando os presos do Sindicato e do PCC”, explicou ele.

FERIDOS RESGATADOS PELOS BOMBEIROS

Diante do confronto das duas facções na quinta-feira pela manhã, quando o SRN teria matado quatro presos do PCC (as autoridades só confirmaram duas mortes), nesta sexta-feira, diante do apelo dos familiares dos presos, o Corpo de Bombeiros resgatou três feridos do Pavilhão 5, que é considerado um presídio anexo a Alcaçuz, que leva o nome de Rogério Coutinho Madruga.

Segundo um bombeiro que participou da operação, que foi realizada de forma especial, sem a entrada dos bombeiros e do Samu no Pavilhão 5, os três presos foram feridos com tiros. Os bombeiros usaram cordas e uma maca para retirar os feridos. Eles se posicionaram numa guarita controlada pelos agentes penitenciários e policiais militares e jogaram a maca para o interior do presídio.

Os presos colocaram um a um os feridos na maca, que era inçada pelos bombeiros pelo lado de dentro e depois baixada pelo lado externo do muro, onde estavam três ambulâncias do SAMU aguardando. Agentes da Força Nacional e até pessoal da Polícia Florestal atuaram para proteger a operação de resgate, que durou cerca de 1h.

O primeiro a ser socorrido, que este repórter conversou por celular antes de resgatado, contou que levou um tiro de fuzil de raspão no tornozelo, na quinta-feira, quando a guarda externa tentou separar os presos das duas facções que se enfrentavam no interior do presídio.

Com o auxilio da mulher do preso, que pediu ajuda da imprensa para denunciar a omissão de socorro aos feridos, este repórter conversou com três internos cerca de 10 minutos, quando eles reclamaram da direção do presídio por não remover os presos baleados para um hospital.

Um dos presidiários que conversou com este jornalista disse até que “nós presos somos verdadeiros homens bombas”, para em seguida denunciar que os presos da facção rival estava recebendo protegidos pelas autoridades.

Segundo um dos presos do PCC, havia cerca de 10 feridos do confronto de quinta-feira, 19, com o SRN e da reação dos agentes penitenciários e PMs, mas apenas três necessitavam de cuidados médicos porque tinham sido baleados.

O segundo preso resgatado pelos bombeiros apresentava ferimento de bala na altura do joelho, enquanto o terceiro estava ferido na altura do peito.

Diante do resgate dos feridos por fora do presídio, depois de quase 24 horas do confronto de facções, o que se nota é que a penitenciária continua no comando dos presos do PCC e SRN.

Nas conversas com os presos das duas facções, pode se notar que a questão toda é uma rivalidade dos dois grupos, cada um fazendo suas acusações as autoridades. O sindicato não aceita os presos do PCC em Alcaçuz e estes não querem os rivais ali.

Para um observador de fora, a guerra das facções está declarada e os seus presos não querem o governo participando favorecendo um grupo o outro.

TRANSFERIDOS MAIS PRESOS.

Nesta sexta (20), vários presos foram transferidos de Alcaçuz e um deles recebeu a liberdade, saindo com o alvará nas mãos, trajando o uniforme de presidiário, com um calção azul e camiseta branca.

Para evitar que fosse confundido com um fugitivo, as mulheres de presos que estavam em frente de Alcaçuz conseguiram convencer o rapaz a não ir a pé pela estrada de acesso ao distrito de Pium, no município de Parnamirim, onde estariam parentes o aguardando. Apareceu um taxista e levou o ex-presidiário, que não se identificou, apenas disse que tinha sido um transferido de forma equivocada.

Outros onze detentos foram levados de Alcaçuz para o Complexo Penal João Chaves, em Natal, onde vão ficar no regime semiaberto por progressão de pena. Agora eles vão passar o dia fora da unidade e só voltam para dormir.

A REBELIÃO 

Para os presos do sindicato do Rio Grande do Norte, o que aconteceu no sábado, 14, não foi uma rebelião, mas uma chacina de 26 presos da facção pelos seus rivais do PCC.

Segundo um preso que conversou com este repórter por celular, no sábado logo após a visita, os outros presos do pavilhão 5 (presídio Rogério Coutinho Madruga) invadiram  o pavilhão 4 e começou a matança.

O sindicato acusa a direção do presídio, agentes Penitenciários e PMs de plantão naquele dia de facilitarem a saída dos presos do Pavilhão 5 e de terem recebidos armas para o ataque.

MURO

O governador Robinson Faria (PSD) na quinta-feira anunciou a construção de uma barreira física, ou seja, um muro, para separar as duas facções.

Já o comandante-geral da PM, coronel André Azevedo, disse que será erguida uma parede feita de contêineres provisoriamente. "Isso é urgente e necessário", disse.

Antes, o governador chegou a falar que um "paredão humano" seria feito na quinta-feira para separar as duas facções e retomar o controle do presídio.

Nesta sexta-feira, o que se podia notar é que os presos estavam mais calmos e poucos eram vistos em cima dos telhados, principalmente na ala do sindicato.

Até um culto foi visto logo no primeiro pavilhão, provavelmente realizado pelos presos de melhor comportamento e que trabalham em setores como a cozinha, enfermaria e setor administrativo. Eles estavam de roupas brancas. Era possível ver próximo outro grupo de presos só de calção azul e sem camisas.

VIOLÊNCIA NAS CIDADES

Na quarta-feira, quando o governo do Estado começou a transferir 200 presos ligados ao sindicato, uma série de ataques criminosos ocorreu em Natal e outros 10 municípios.

No total, até sexta-feira, 26 ônibus e micro-ônibus, cinco carros do governo do Estado e das prefeituras, quatro delegacias e outros três prédios públicos foram atacados numa represália do SRN.

Diante desses ataques, o governo do Estado pediu ajuda do governo Federal e o presidente Michel Temer autorizou o envio de militares das Forças Armadas para patrulhar as ruas da capital. Cerca de 2 mil soldados vão integrar a Operação Potiguar 2 até o dia 30 de janeiro.

VALA DA MORTE

A jornalista Eliana Cantanhêde, da Globo News, divulgou nesta noite de sexta-feira que no presíio de Alcaçuz foi localizada uma grande vala com muitos corpos carbonizados.

E também agora à noite, chegaram em Alcaçuz três caminhões caçambas e uma retroescavadeira.

Com relação a vala, a jornalista disse que a informação chegou ao Palácio do Planalto. Ela estava apurando a veracidade da existência dessa vala.
Desde sábado, quando iniciou a rebelião, com o PCC matando 26 presos da facção rival, o Sindicato do RN, existia contestação aquele número oficial divulgado pelo governo.

Este jornalista mesmo ouvi um áudio de um tenente da PM que dizia ter visto pelo menos 100 corpos, enquanto familiares de presos ligados ao sindicato também afirmavam que as mortes passavam de 120 presos.

Estranho o governo fazer movimentação de caminhões e máquinas à noite, tendo até colocado grades em frente ao presídio, alegando que era para manter as mulheres dos presos longe da sua entrada.

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