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Sexta-feira, 20 de janeiro de 2017 às 20:15:00

Alcaçuz vive um sábado de procura de corpos e construção de muralha de contêineres

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A Polícia Militar com o batalhão de Choque entrou na Penitenciária Estadual de Alcaçuz neste sábado pela manhã para procurar corpos de presos que ainda estariam escondidos em fossas ou teriam sido enterrados em valas. Um caminhão da Caern, a companhia de esgotos, e retroescavadeiras entraram no presídio no inicio da tarde.

Neste sábado o governo do Estado também iniciou a construção de uma muralha de contêineres para separar as duas facções que há uma semana se enfrentam pelo domínio do presídio, o maior do Estado, que tem cerca de 1.150 internos.

Com 26 mortes confirmadas oficialmente, que aconteceram no inicio da rebelião, no sábado, dia 14, agora o governo já admite que a matança de presos pode ter sido maior.

Neste sábado, 21, peritos e necrotomistas do Instituto Técnico-Científico de Polícia (ITEP) recolheram partes de corpos de presos que foram mortos nos confrontos desta semana, mais precisamente de quarta-feira, quando a facção Sindicato do RN (SRN) enfrentou o Primeiro Comando da Capital (PCC) para retomada do pavilhão 4.

Na quinta-feira, os presos do PCC retomaram o pavilhão 4, mas no confronto o pessoal da facção SRN teria matado quatro rivais. Nesse mesmo dia os presos do sindicato confirmaram que mataram quatro membros do PCC. Partes dos corpos eram exibidos pelos presos como troféu da “guerra” que as duas facções travam para dominar o presídio de Alcaçuz, a 15 km de Natal, mas situado no município de Nísia Floresta.

Os presos do sindicato ocupavam o pavilhão 4 e os integrantes do PCC o pavilhão 5, também conhecido como presídio Rogério Coutinho Madruga, mas tudo dentro do complexo de Alcaçuz, que ainda tem os pavilhões 1,2 e 3 ocupados por presos neutros.

Uma mãe de preso informou que seu filho não pertencia a nenhuma das facções, mas quando houve a invasão do pavilhão 4 por parte dos presos do PCC, que mataram 26 internos do SRN, ele teve que se juntar ao sindicato para não ser morto.

“Como o governo do Estado autorizou transferir 200 presos do SRN na quarta-feira, enfraquecendo a facção, os líderes do sindicato convenceram os outros presos a se juntarem a eles para enfrentar o PCC”, explicou a mulher, que pediu para não ser identificada.

A Polícia Militar confirma que existem novos mortos dentro do presídio, porém não sabe quantos são.

Como o governador Robinson Faria autorizou a PM a retomar o presídio na sexta-feira, com a entrada do Batalhão do Choque e o Grupo de Operações Especial, com a ordem de atirar nos presos que não se recolhessem aos pavilhões, o clima em Alcaçuz nesses últimos dois dias melhorou, não mais havendo detentos sobre os telhados.

Os presos do PCC recuaram para o pavilhão 5 e o pavilhão 4 hoje é um território neutro, onde neste sábado o governo começou a construir a muralha de contêineres entre este pavilhão e o 3. Depois de construída a barreira de contêineres, os presos do PCC ficarão nos pavilhões 4 e 5, com a outra facção ocupando os outros pavilhões.

A Secretaria de Segurança Pública informou que as equipes da Companhia de Águas e Esgotos do RN (Caern) iriam, após a instalação dos contêineres, realizar o esgotamento das fossas à procura de corpos no presídio.

Segundo o governo do Estado, a instalação da barreira de contêineres é uma medida temporária até que um muro de concreto medindo 90 metros de extensão seja construído. O prazo para este muro ser erguido é de 15 dias.

No sábado cerca de 10 contêineres, cada um com 12 metros, já estavam na frente e no interior do presídio.

Soldados da PM do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope), Batalhão de Choque (BPChoque) e Grupo de Operações Especiais (GOE) vão dar cobertura para trabalhadores de uma empresa contratada façam a instalação do muro improvisado.

No começo da operação, pela manhã, os policiais chegaram a usar bomba de efeito moral para evitar qualquer reação dos internos.

O helicóptero Potiguar 1, aeronave da Secretaria de Segurança Pública, passou o dia de sábado sobrevoando a penitenciária, enquanto os presos se recolhiam aos pavilhões. voando Alcaçuz.

Neste sábado, apenas uma das seis empresas de ônibus de Natal colocaram veículos para circular. Elas temiam novos ataques de membros da facção Sindicato do RN, que desde quarta-feira fizeram uma série de ações em protesto pelo governo só ter transferido seus presos de Alcaçuz.

Oficialmente, 36 veículos, entre ônibus e micro-ônibus, cinco viaturas do governo do Estado e das prefeituras, um caminhão, dois carros particulares, quatro delegacias e outros três prédios públicos foram alvos dos criminosos. Os atentados resultaram em incêndios e tiros nos prédios das delegacias.

A maioria dos atentados aconteceu na capital e em  municípios da Grande Natal. Não foram registradas vítimas nessas ações.

O ministro da Defesa, Raul Jungmann, chegou a Natal nesta sexta-feira, 20, e afirmou que governo Federal não vai "admitir descontrole" no sistema penitenciário nacional.

"Não vamos admitir descontrole, não vamos admitir que venha a imperar o medo e a desordem como da vez anterior. Essa é a determinação do presidente Temer. E para nós, missão dada, missão cumprida", afirmou o ministro, que veio acompanhar o inicio da Operação Potiguar II, com as Forças Armadas colocando seus homens do Exército, Marinha e Aeronáutica para vigiar as ruas de Natal.

Na sexta-feira, poucos homens das Forças Armadas eram vistos nas ruas, mesmo o governo informando que 650 soldados iriam patrulha as vias pública da capital potiguar.

A previsão era colocar no sábado um cerca de 1,4 mil militares na Região Metropolitana e no domingo chegar a 1.846 homens. "Não vamos substituir nenhuma ação das polícias", explicou o ministro.




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