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Domingo, 22 de janeiro de 2017 às 02:45:00

Urutu quebra no patrulhamento de Natal e túneis são encontrados no presídio de Alcaçuz

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Agentes da Força Nacional que estão em Natal encontraram neste domingo, 22, dois túneis na área externa da Penitenciaria Estadual de Alcaçuz, a 15 km de Natal, próximos ao Pavilhão 5, onde estão os presos da facção Primeiro Comando da Capital (PCC).  Os policiais também acharam drogas e celulares no lado externo do presídio, que seriam arremessados para o seu interior.

Em Natal, o patrulhamento das ruas pelos soldados das Forças Armadas já está sendo realizado desde sexta-feira, mas mesmo assim, no sábado de madrugada, um veículo particular foi queimado na zona Oeste da capital.

No domingo final de tarde, um veiculo Urutu do Exército, quando retornava do patrulhamento, parou na Avenida Hermes da Fonseca, no bairro Tirol. O Urutu ficou quase 1 hora parado aguardando ser consertado.

A MURALHA

No presídio de Alcaçuz, que desde o início da rebelião de presos no dia 14 convive com confrontos de facções, a primeira fileira da muralha de contêineres que começou a ser colocada no sábado ficou pronta neste domingo.

 A previsão do governo é concluir o trabalho até terça-feira com a colocação de mais uma fileira. Depois será construído um muro de concreto definitivo com cerca de 90 metros de extensão.

A murava de contêineres foi a alternativa que o governo do Estado arrumou para separar as duas facções, PCC e o SRN (Sindicato do Rio Grande do Norte, que disputam o domínio no presídio de Alcaçuz, bem como para proteger os operários que depois vão erguer o muro definitivo.

Com a construção da muralha improvisada, os presos do PCC vão ocupar os pavilhões $ e 5, enquanto os internos do SRN ficarão nos pavilhões 1, 2 e 3.

TÚNEIS DESCOBERTOS

Construída para abrigar 600 detentos, a penitenciária, a maior do Estado, tinha 1.150 presos até a rebelião de sábado, 14 de janeiro, quando foram mortos 26 internos no ataque do PCC. Além de presos mortos (governo contou 26 corpos), vários internos conseguiram fugir no dia da rebelião, que começou por volta das 17 horas.

Segundo moradores no entorno do presídio, muitos presos foram vistos fugindo do presídio. Eles teriam escapado por dois túneis que foram descobertos nesse domingo. Um deles estava camuflado com mato e o outro apareceu com o deslocamento de areia em virtude das fortes chuvas desse domingo.

A Secretaria de Segurança Pública do RN informou que túnel camuflado já foi fechado e o outro também será.

Os policiais da Força Nacional encontraram próximo ao túnel uma sacola contendo maconha e cocaína, além de quatro aparelhos celulares.

Presos do SRN já tinham enviado para familiares um vídeo mostrando os internos do PCC recolhendo o que seriam celulares e drogas junto a um muro próximo ao pavilhão 4. No vídeo, o sindicato acusava agentes penitenciários e policiais militares da guarda externa do presídio de facilitarem o arremesso de celulares e drogas para a facção rival.

A Polícia Militar numa varredura realizada no sábado encontrou várias armas artesanais, celular e um detector de metais quebrado. O aparelho era usado pelos agentes penitenciários durante as visitas e deve ter sido tomado deles durante a rebelião ocorrida no dia 14 de janeiro.

Após as 26 mortes reconhecidas oficialmente pelo governo, na quinta-feira, 19, em novo confronto de facções, os presos do SRN informaram que pelo menos quatro internos foram mortos e vários ficaram feridos.

A PM confirma que foram mortos presos naquele confronto e o PCC informou que havia uns 10 feridos no lado deles.

PARTES DE CORPOS

No sábado, equipes do Instituto Técnico de Perícia (Itep) encontraram e recolheram duas cabeças, um antebraço, um braço e uma perna que estavam espalhados pelo pátio externo do presídio, provavelmente resultado do confronto de quinta-feira.

Para o comandante da Policia Militar, coronel André Azevedo, a missão de separar as facções com o muro é com o objetivo de "preservar vidas".

Na entrevista dada no final da tarde de sábado, o comandante disse que caçambas retiraram grande quantidade de entulhos e barras de ferros que eram usadas como armas pelos presos das duas facções nos confrontos.

Mesmo com a Polícia Militar dentro do pátio externo, os presos estão soltos nos pavilhões, mas não são mais vistos em cima dos telhados. Todos estão recolhidos no interior dos pavilhões.

Segundo um preso, por celular, na sexta-feira quando a PM entrou no presídio com o Batalhão de Choque, o Grupo de Operações Especiais e o BOPE, o aviso foi que quem não se recolhesse a ordem era atirar para matar.

Até agora, depois de uma semana da rebelião, a PM só entrou nas áreas dos pavilhões 1, 2 e 3 onde estão os presos do sindicato, enquanto os pavilhões 4 e 5 continuam sob as ordens dos internos do PCC.

A retirada de feridos do Pavilhão 5 teve que ser até por cima do muro, numa das guaritas, já que o comando não permitiu a entrada de policiais.

INDICIADOS

A Polícia Civil informou neste domingo, 22, que 17 pessoas já foram indiciadas em inquérito policial por participação direta e indireta na rebelião de Alcaçuz. Entre as prisões realizadas, uma delas foi efetivada pela Força Nacional e outras três por guardas municipais.

Além dos cinco presos considerados chefes de uma das facções, a polícia informa a prisão de dois adolescentes que participaram de atentados em Natal.

Os acusados de liderarem a rebelião podem responder por 26 homicídios, além de dano ao patrimônio público, lesão corporal, vilipêndio de cadáver e organização criminosa.

Outro indiciado é um foragido da penitenciária de Alcaçuz, que foi preso praticando um roubo. Já outro homem foi preso ao tentar jogar munições para dentro do presídio. 

A polícia ainda informar as prisões de um suspeito que gravou e divulgou um vídeo com ameaças à sociedade e de dois homens e de um adolescente que planejavam ataques no município de Parelhas.

As outras prisões foram de um suspeito de colocar fogo na garagem da prefeitura de São Paulo do Potengi e de dois homens e uma mulher que atiraram contra um ônibus parado no terminal do Parque dos Coqueiros, Zona Norte de Natal.

Outro homem foi preso sob a acusação de ter participado de incêndio em três ônibus em Barra de Maxaranguape, município no litoral norte potiguar.

SEMANA COMEÇA COM TRANSPORTE COLETIVO

O Sindicato das Empresas de Transportes Urbanos de Passageiros (Seturn) divulgou nota neste domingo, 22, confirmando o retorno dos ônibus coletivos na capital a partir dessa segunda-feira. Natal ficou sem o serviço de transporte urbano desde quinta-feira a até domingo, diante dos ataques de marginais ligados a facção do sindicado, que queimaram vários ônibus.

O Seturn disse na nota que pretende retomar a circulação de pelo menos parte da frota de ônibus em Natal a partir desta segunda-feira (23).

No domingo, a Força-Tarefa Guararapes, composta por militares das Força Armadas, que patrulha as ruas de Natal, também emitiu nota onde afirma que "entende que as condições de segurança estão sendo restabelecidas, possibilitando a livre circulação dos transportes e das pessoas na região metropolitana de Natal, bem como a retomada da situação de normalidade à vida do povo natalense".

A frota de ônibus coletivo de Natal é composta de 630 veiculos que transportam diariamente cerca de 450 mil passageiros. Mas nesta época do ano, em razão das férias, o Sindicato dos Trabalhadores em Transporte Rodoviário do Rio Grande do Norte calcula que diariamente cerca de 380 mil pessoas usam o transporte público na capital.

No sábado, a promessa das empresas era colocar em circulação uma parte da sua frota, mas apenas uma das seis cumpriu com o prometido.

PATRULHAMENTO DAS FORÇAS ARMADAS

Na sexta-feira, os soldados do Exército, Marinha e Aeronáutica que participam da Operação Potiguar II começaram o patrulhamento na cidade.

Soldados do Exército podem ser vistos na praia de Ponta Negra e circulando por várias avenidas da cidade. No domingo à tarde, um comboio do Exército quando voltava de um patrulhamento, depois de passar pelas praias urbanas e pelo bairro de Mãe Luiza, berço da facção Sindicato do RN, teve um dos veículos Urutu com pane sendo obrigado a parar na avenida Hermes da Fonseca, no bairro Tirol.

Depois de quase 1 hora parado, com ajuda de outro Urutu, uma equipe de mecânicos conseguiu sanar a falha mecânicas do veículo blindado EB-22102. Inicialmente, os próprios soldados ocupantes do Urutu tentaram consertar o defeito, que aparentemente, era de refrigeração.

Um soldado chegou apanhar água numa das casas da avenida para colocar no radiado, mas o veículo não conseguiu andar. Depois chegou outro Urutu com mecânicos e o problema foi resolvido. Os veículos seguiram para a 7ª Brigada de Infantaria Motorizada, localizada na mesma Avenida Hermes da Fonseca, a cerca de 600 metros de onde o Urutu ficou parado no meio da pista.

Os soldados do Urutu quebrado não informaram o motivo da pane. Um deles, inicialmente, chegou a dizer que se tratava de um trabalho de rotina de manutenção do Urutu.

Mas na verdade, diante da presença dos mecânicos, ficou constatado que O Urutu parou devido a uma pane no setor de refrigeração do motor.

OS ATAQUES CONTINUAM

Na madrugada de sábado, um veículo particular foi incendiado na Zona Oeste de Natal, mesmo com o patrulhamento das Forças Armadas na região Metropolitana.

A PM informou que quatro homens teriam ateado fogo no carro e depois fugiram.

No total, desde quarta-feira, 18, quando começaram os ataques, após o governo ter transferidos 200 presos da facção SRN do presídio de Alcaçuz, 26 ônibus e micro-ônibus, cinco viaturas do governo do estado e das prefeituras, um caminhão, dois carros particulares foram queimados, enquanto quatro delegacias e outros três prédios públicos foram alvos de criminosos.

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